domingo, 8 de agosto de 2010

mais Ordem que Progresso

Estava assistindo ao Jornal da Cultura (exibido de segunda a sábado, sempre às 21 horas) quando me ocorreu a existência de um "Legislativismo" proibidor. Fiquei inquieta com isso.
Ano passado, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) proibiu demonstrações humorísticas que ridicularizem candidatos, partido político ou coligação através da resolução 23.191/2009 nas eleições 2010(embora o jornalista Marcelo Tas declare não se intimidar).
Mês passado, o senado tenta regular a conduta dos torcedores em estádios de futebol, submetendo-os a implicações jurídicas caso ousem xingar o juiz da partida.
Ainda em julho deste ano, a atriz Malu Rodrigues é proibida de mostrar o seio em peça de teatro - apesar de ser "uma cena rápida e poética", segundo a jovem - (imagine se eles descobrem o Espaço Satyros!).
A Justiça censurou até uma novela global que não é mais exibida! (apesar que, convenhamos, antes tarde do que nunca... ao menos a referida novela não será reexibida no "Vale a Pena Ver de Novo")
Em Sampa, tramita um projeto que quer banir skates da Avenida Paulista. No Canadá, até a mamadeira foi proibida!!!
Tudo bem que no último caso foi detectado um tal de bisfenol A que pode ser nocivo às crianças; que tenho trauma de skate por caído de um e quebrado o braço direito em fase escolar; que não faço questão de ver novelas ou seios em espetáculos teatrais; que suspeito ter nascido no país errado, uma vez que o meu chamam "país do futebol" e não consigo assistir uma partida inteira ou ouvir pessoas conversando sobre isso durante 5 minutos; que ainda não tenha incorporado o baixo calão em minhas expressividades orais; e nem tenha pretensão de desenhar como Paulo Caruso... Mas essa história de proibir tudo está me deixando atordoada. Temo o rumo a que isso pode nos levar, afinal aqui no Brasil tudo é meio disfarçado com carnavais e não se sabe o nível de autoritarismo embutido nessas politicagens para considerá-las saudáveis à Soberania Nacional ou não.
De todo modo, eu fico é com a gravação ("presente sem data" concedido pelo amigo Alex Bonfim) de um festival dos anos 60, onde Gilberto Gil e Caetano Veloso decidem - durante o reinado da bossa-nova - introduzir guitarras elétricas na música de protesto e, assim, ilustrar que É PROIBIDO PROIBIR!

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